Justiça reprodutiva: um caminho para justiça social e equidade racial e de gênero

Autores

  • Fernanda Lopes Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-2593.organicom.2022.205773

Palavras-chave:

Justiça reprodutiva, Mulheres negras, Direitos reprodutivos, Aborto

Resumo

Este artigo não é investigativo, mas uma reflexão pessoal e subjetiva, usando referenciais de direitos humanos, acerca da justiça reprodutiva como conceito-potência em disputa, estratégia de intervenção social interseccional e, ao mesmo tempo, instrumento de promoção da justiça social e equidade racial e de gênero. Longe de ser conclusivo, apresenta a justiça reprodutiva como um campo de ativismo e uma convocação à mudança sistêmica nas discussões sobre trajetórias reprodutivas.

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Biografia do Autor

Fernanda Lopes, Universidade de São Paulo

Doutora e mestre em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP). Ex-membro do Conselho Nacional de Saúde, representando a Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras. Ex-Coordenadora do Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI-Saúde) e liderou a área de saúde reprodutiva e direitos do Fundo de População das Nações Unidas. Pesquisadora independente, autora de livros e artigos sobre mulheres negras e HIV/Aids, saúde da população negra, direitos reprodutivos e justiça reprodutiva. Atua no GT Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Dona de uma empresa de consultorias especializada. Diretora do Fundo Baobá para Equidade Racial.

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Publicado

2023-03-15

Como Citar

LOPES, F. Justiça reprodutiva: um caminho para justiça social e equidade racial e de gênero. Organicom, [S. l.], v. 19, n. 40, p. 216-227, 2023. DOI: 10.11606/issn.2238-2593.organicom.2022.205773. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/organicom/article/view/205773. Acesso em: 26 fev. 2024.