O empresário, a ong, os marisqueiros, a criança: um estudo de caso sobre a variação de sentidos de um manguezal em disputa

Autores

  • Cecília Campello do Amaral Mello Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional

DOI:

https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2016.121933

Palavras-chave:

Etnografia, reserva extrativista, conflito ambiental, território, Cassurubá, Bahia

Resumo

O presente artigo propõe-se a apresentar algumas inflexões teórico-metodológicas nascidas da etnografia de um processo de conflito ambiental em uma área de manguezal ocupada por grupos extrativistas no Nordeste brasileiro. Pretende-se apresentar como os diferentes actantes em disputa – quais sejam, os empresários, os pesquisadores associados às ongs ambientalistas, os marisqueiros e as crianças de um movimento cultural afroindígena – nomeiam, definem e se apropriam daquilo que designam, cada um a seu modo, fazenda de camarão, ecossistema manguezal ou, simplesmente, mangue. A partir de uma pesquisa de campo de longa duração, este artigo propõe o exercício analítico de se aproximar dos percursos e deslocamentos nativos nas situações em que acontecem, tornando possível o vislumbre de múltiplos modos de ser extrativista e indicando, em consequência, a necessidade de uma complexificação da noção de grupo ou população extrativista.

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Biografia do Autor

Cecília Campello do Amaral Mello, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional

Professora Adjunta do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ e pesquisadora do CNPQ

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Publicado

2016-10-14

Como Citar

Mello, C. C. do A. (2016). O empresário, a ong, os marisqueiros, a criança: um estudo de caso sobre a variação de sentidos de um manguezal em disputa. Revista De Antropologia, 59(2), 59-85. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2016.121933

Edição

Seção

Artigos