Disputas fraternas e chefia bicéfala: hierarquia e heterarquia no Alto Rio Negro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2020.171366

Palavras-chave:

Chefia Ameríndia, Hierarquia, Heterarquia, Alto Rio Negro, Sistemas Regionais

Resumo

Este artigo identifica a tensão entre hierarquia e heterarquia como um princípio estrutural que opera a favor da multiplicidade, da diferença e da autonomia no contexto dos sistemas regionais e da política-ritual ameríndia. Focando na relação entre dono/chefe de maloca e xamã, à luz das tensões nas relações entre irmãos mais novos/mais velhos, típicas da região do Alto Rio Negro, caracteriza-se a constituição de uma chefia bicéfala, onde ambos especialistas trabalham de forma complementar para atender às diferentes direções envolvidas na política, e os mecanismos que dificultam sua consolidação.

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Biografia do Autor

Luis Cayón, Universidade de Brasília - UnB e Museu de Arqueologia e Etnologia - USP

Luis Cayón é professor do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília. Antropólogo pela Universidad de Los Andes (Bogotá, Colômbia), Mestre e Doutor em Antropologia Social pela Universidade de Brasília, Pesquisador Colaborador do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (2018-2019). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 2.      

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Publicado

2020-06-23

Como Citar

Cayón, L. (2020). Disputas fraternas e chefia bicéfala: hierarquia e heterarquia no Alto Rio Negro. Revista De Antropologia, 63(2), e151160. https://doi.org/10.11606/2179-0892.ra.2020.171366

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Artigos