“Does every traveller see all that he describes?” O viajante cego James Holman e os Limites do Olhar Viajante

  • Amilcar Torrão Filho
Palavras-chave: Literatura de viagem, viajantes, visão

Resumo

Olhar etnográfico, olhar pitoresco, olhar ilustrado, olhar evangelizador, olhar imperialista: o olhar é una metáfora frequente nas descrições e análises da literatura de viagem em suas mais diversas manifestações. Ver bem tem como consequência uma melhor compreensão do lugar visitado, o que pode converter o viajante em um especialista do lugar visitado, alguém que pode construir um texto de autoridade sobre determinado espaço, propor projetos políticos de regeneração, colonização, evangelização. O caso do viajante britânico cego, ex-marinheiro, James Holman (1786-1857), impõe limites a essa pretensão epistemológica que define o gênero. Autor de diversos relatos de suas viagens de circum-navegação pela Rússia, Europa Central, Brasil, China, Holman era consciente desses limites e por isso foi, além de viajante cego, um escritor cego. Este artigo trata desta consciência do processo de construção de sua fiabilidade dos seus limites.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Amilcar Torrão Filho

Doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas. Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em História, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Líder de Grupo de Pesquisa CNPq, Núcleo de Estudos da Alteridade.

Publicado
2016-12-20