A filtração do líquido ascítico melhora o diagnóstico microbiológico da peritonite bacteriana espontânea? Um estudo experimental laboratorial

Autores

  • Lucas Chaves University of São Paulo. Ribeirão Preto Medical School. Graduate Program in Public Health Ribeirão Preto, (SP), Brazil. https://orcid.org/0000-0002-0700-6339
  • Francisco Barbosa Junior University of São Paulo. Ribeirão Preto Medical School, Social Medicine Department. Ribeirão Preto, (SP), Brazil. https://orcid.org/0000-0003-4596-1094
  • Fernanda Fernandes de Souza 3University of São Paulo. Ribeirão Preto Medical School. Internal Medicine Department. Gastroenterology Division Ribeirão Preto, (SP), Brazil. https://orcid.org/0000-0002-2369-7686
  • Rodrigo de Carvalho Santana University of São Paulo. Ribeirão Preto Medical School. Internal Medicine Department. Infectious Diseases Division. Ribeirão Preto, (SP), Brazil. https://orcid.org/0000-0002-5887-8663
  • Roberto Martinez University of São Paulo. Ribeirão Preto Medical School. Internal Medicine Department. Infectious Diseases Division. Ribeirão Preto, (SP), Brazil. https://orcid.org/0000-0001-6906-7981
  • Fernando Bellissimo-Rodrigues University of São Paulo. Ribeirão Preto Medical School. Graduate Program in Public Health Ribeirão Preto, (SP), Brazil. https://orcid.org/0000-0002-3736-7127

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2022.180658

Palavras-chave:

Cirrose hepática, Peritonite Bacteriana Espontânea, Diagnóstico Microbiológico, Filtragem do líquido ascítico

Resumo

Contexto: A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave e frequente entre pacientes cirróticos com ascite, diagnosticada por meio da análise citológica do líquido ascítico. A cultura microbiológica do líquido ascítico, por sua vez, é positiva em menos de 40% dos casos de PBE, o que resulta frequentemente na instituição de terapia antimicrobiana inapropriada. A terapia empírica pode ser subótima, aumentando o risco de agravamento do paciente, ou superestimada, impulsionando desnecessariamente a resistência bacteriana. Objetivo: Estudo experimental laboratorial, propôs  padronizar e verificar a viabilidade técnica da filtração a vácuo do líquido ascítico, como forma de otimizar o diagnóstico etiológico na PBE, comparativamente ao sistema automatizado de culturas de sangue. Método: O método avaliado e padronizado neste estudo foi a da filtragem a vácuo do líquido ascítico. Esse tem como princípio a concentração da bactéria em uma membrana filtrante. Resultados: Nesse estudo, foram incluídos 36 pacientes cirróticos atendidos em um hospital público universitário, entre 13.11.2017 e 30.06.2019. Entre eles, 47,2% (17/36) apresentaram citologia compatível com PBE. Nesses, a sensibilidade da cultura pelo método semi-automatizado foi de 35,3% (6/17) e da cultura pelo método da filtragem a vácuo foi de 11,8% (2/17). Conclusão: Em conclusão, a filtragem a vácuo não melhora o diagnóstico microbiológico da PBE em relação ao método automatizado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Lozano R, Naghavi M, Foreman K, Lim S, Shibuya K, Aboyans V, et al. Global and regional mortality from 235 causes of death for 20 age groups in 1990 and 2010: A systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2010. Lancet. 2012;380(9859):2095–128.

Blachier M, Leleu H, Peck-Radosavljevic M, Valla DC, Roudot-Thoraval F. The burden of liver disease in Europe: A review of available epidemiological data. J Hepatol [Internet]. 2013;58(3):593–608. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.jhep.2012.12.005

Setiawan VW, Stram DO, Porcel J, Lu SC, Noureddin M, Angeles L, et al. Prevalence of chronic liver disease and cirrhosis by underlying cause in understudied ethnic groups: the Multiethnic Cohort. Hepatology. 2017;64(6):1969–77.

Nader LA, de Mattos AA, Bastos GAN. Burden of liver disease in Brazil. Liver Int. 2014;34(6):844–9.

Rehm J, Taylor B, Mohapatra S, Irving H, Baliunas D, Patra J, et al. Alcohol as a risk factor for liver cirrhosis: A systematic review and meta-analysis. Drug Alcohol Rev. 2010;29(4):437–45.

De Mattos AA, Coral GP, Menti E, Valiatti F, Kramer C. Infecção bacteriana no paciente cirrótico. Arq Gastroenterol. 2003;40(1):11–5.

Ekpanyapong S. Infections in Cirrhosis. 2019;254–70.

Runyon B. AASLD PRACTICE GUIDELINES Management of Adult Patients with Ascites Due to Cirrhosis: An Update. Hepatology. 2009;(909):264–72.

Wiest R, Krag A, Gerbes A. Spontaneous bacterial peritonitis: Recent guidelines and beyond. Gut. 2012;61(2):297–310.

Carrola P, Militão I, Presa J. Infeções bacterianas no doente com cirrose hepática. GE J Port Gastrenterologia. 2013;20(2):58–65.

Cheong HS, Kang C, Lee JA, Moon SY, Joung MK, Chung DR, et al. Clinical Significance and Outcome of Nosocomial Acquisition of Spontaneous Bacterial Peritonitis in Patients with Liver Cirrhosis. Clin Infect Dis. 2009;48(9):1230–6.

Center NBIC. NBI. Rimola A,Garcia-Tsao G,Navasa M,Piddock L,Planas R,Bernard B. J Hepatol. 2000;32:142–53.

Harris PA, Taylor R, Thielke R, Payne J, Gonzalez N, Conde JG. Research electronic data capture (REDCap)- A metadata-driven methodology and workflow process for providing translational research informatics support. J Biomed Inform [Internet]. 2009;42(2):377–81. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.jbi.2008.08.010

Haddad N.; Ferriolli F, F.; Gardonyl, C. D.; Teruel J. R.; Campana, C. L. & Duarte, G. G. Valor terapêutico do tetracloroetileno e do hidroxinaftoato de befênio na Ancilostomíase. Rev. Inst. Med. Trop. São Paulo.1962;4::323-329.

Karla Anacleto de Vasconcelos, Silvana Maria Monte Coelho Frota, Antonio Ruffino-Netto ALK. Análise sequencial como ferramenta na detecção da ototoxicidade da amicacina no tratamento da tuberculose multirresistente. J Bras Pneumol. 2018;44(2):85–92.

Oladimeji AA, Temi AP, Adekunle AE, Taiwo RH, Ayokunle DS. Prevalence of spontaneous bacterial peritonitis in liver cirrhosis with ascites. Pan Afr Med J. 2013;15:128.

Thiele GB, da Silva OM, Fayad L, Lazzarotto C, Ferreira M do A, Marconcini ML, et al. Características clínicas e laboratoriais da peritonite bacteriana espontânea no sul do Brasil. Sao Paulo Med J. 2014;132(4):205–10.

Almeida PRL de, Leão GS, Gonçalves CDG, Picon RV, Tovo CV. Impact of Microbiological Changes on Spontaneous Bacterial Peritonitis in Three Different Periods Over 17 Years. Arq Gastroenterol. 2018;55(1):23–7.

Ardolino E, Wang SS, Patwardhan VR. Evidence of Significant Ceftriaxone and Quinolone Resistance in Cirrhotics with Spontaneous Bacterial Peritonitis. Dig Dis Sci [Internet]. 2019;64(8):2359–67. Available from: https://doi.org/10.1007/s10620-019-05519-4

Hardick J, Won H, Jeng K, Hsieh YH, Gaydos CA, Rothman RE, et al. Identification of bacterial pathogens in ascitic fluids from patients with suspected spontaneous bacterial peritonitis by use of broad- range PCR (16S PCR) coupled with high-resolution melt analysis. J Clin Microbiol. 2012;50(7):2428–32.

Soriano G, Esparcia Ó, Montemayor M, Guarner-Argente C, Pericas R, Torras X, et al. Bacterial DNA in the diagnosis of spontaneous bacterial peritonitis. Aliment Pharmacol Ther. 2011;33(2):275–84.

Fiore M, Gentile I, Maraolo AE, Leone S, Simeon V, Chiodini P, et al. Are third-generation cephalosporins still the empirical antibiotic treatment of community-Acquired spontaneous bacterial peritonitis? A systematic review and meta-Analysis. Eur J Gastroenterol Hepatol. 2018;30(3):329–36.

Gaspar GG, Bellissimo-Rodrigues F, de Andrade LN, Darini AL, Martinez R. Induction and nosocomial dissemination of carbapenem and polymyxin-resistant Klebsiella pneumoniae. Rev Soc Bras Med Trop. 2015;48(4):483–7.

Santana R de C, Gaspar GG, Vilar FC, Bellissimo-Rodrigues F, Martinez R. Secular trends in Klebsiella pneumoniae isolated in a tertiary-care hospital: Increasing prevalence and accelerated decline in antimicrobial susceptibility. Rev Soc Bras Med Trop. 2016;49(2):177

Downloads

Publicado

2022-05-04

Como Citar

1.
Chaves L, Barbosa Junior F, Souza FF de, Santana R de C, Martinez R, Bellissimo-Rodrigues F. A filtração do líquido ascítico melhora o diagnóstico microbiológico da peritonite bacteriana espontânea? Um estudo experimental laboratorial. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 4 de maio de 2022 [citado 29 de fevereiro de 2024];55(1):e-180658. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/180658

Edição

Seção

Artigo Original
Bookmark and Share

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)