Dossiê 38: IMPRENSA PORTUGUESA-BRASILEIRA

2020-01-16

Via Atlântica nº 38 - DOSSIÊ: IMPRENSA PORTUGUESA-BRASILEIRA

Imprensa e circulação de ideias: uma perspetiva portuguesa-brasileira. Este dossiê dedicado ao tema da Imprensa Portuguesa-Brasileira tem como objetivo incentivar a produção de estudos nesta área. Seguindo essa direção, diremos que os consensos conseguidos em torno da unidade das grandes sínteses parecem-nos, no caso vertente, menos interessantes que o debate que essas investigações parcelares possam vir a suscitar. Daí derivará certamente um outro tipo de história cultural, cujas sínteses vão decorrer da demonstração de unidades e diversidades variadas que se entrecruzam, longe das tradicionais visões geograficamente hierarquizadas. Seguindo uma cronologia dos espaços, o ponto de partida poderá ser o período colonial a partir da presença da corte portuguesa no Brasil. Pode destacar-se em seguida o período pós-independência e os altos e baixos nos relacionamentos que acompanharam o século de oitocentos e a imprensa periódica produzida em comum, ou com interesses partilhados pelo Brasil e Portugal, culturais, literários e políticos incluindo a produção jornalística do grande número de colónias de portugueses existentes no Brasil. Com o século 20 e o aparecimento dos nacionalismos e nativismos, coincidindo também com o aparecimento da figura do intelectual engajado, as afirmações de culturas nacionais manifestaram-se através das páginas da imprensa de forma mais exclusivista, no caso dos integralismos de vários matizes mais ou menos fascizantes, ou de forma mais inclusiva no caso dos republicanos e movimentos intelectuais de ambos os países. Na verdade, existe uma cultura partilhada de influências mútuas, bem como um património de escrita em comum que não podem ser ignorados. Pode também dividir-se este período escolhido, em colonial e pós-colonial, e aí fazer entrar toda a história conectada dos dois países, e o relacionamento através da imprensa no todo que Portugal e a língua portuguesa ocupavam no mundo africano e asiático. É uma investigação que está praticamente por fazer e cujos resultados certamente terão várias implicações no conhecimento e compreensão da construção das independências de vários países. Em consequência também os exílios e emigração podem ser entendidos como uma história de encontros e desencontros, mas sobretudo, como lugares de produção jornalística cultural e política, de portugueses e brasileiros em Portugal, Brasil, Europa, Asia e África. Se esta é uma história por fazer, a história cultural da imprensa e do jornalismo português-brasileiro, a metodologia a aplicar e a classificação conceitual dela resultante, irá certamente abrir uma discussão a pedir uma área de estudos em atualização constante.

Organização: Adelaide Vieira Machado (USP), Isabel Travancas (UFRJ).

Período para envio de manuscritos originais: 16/01/2020 a 30/05/2020

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