Mulheres de bigode: masculinidades, gênero e a Guerra da Tríplice Aliança na ficção de Joaquim Manuel de Macedo

Autores

  • César Braga-Pinto Northwerstern University

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i43.196915

Palavras-chave:

Joaquim Manuel de Macedo, romance brasileiro oitocentista, Guerra da Tríplice Aliança, travestimento, mascunilinade/feminilidade

Resumo

Narrativas históricas revelam casos de mulheres, como Jovita Alves Feitosa, que se vestiram como homens para combater na Guerra da Tríplice Aliança. Menos conhecidos, porém, são os casos de homens que teriam se travestido para fugir ao recrutamento obrigatório. Este artigo propõe que o romance Mulheres de mantilha (1870), de Joaquim Manuel de Macedo, representa o desejo de novas performances de masculinidade. Discordando daqueles que leram o romance como um dos primeiros exemplos de homoerotismo feminino, este trabalho sugere que, ao introduzir a figura da filha virtuosa atraída por outra mulher (na verdade, um homem travestido), Macedo renova as noções de honra masculina e virtude feminina.

 

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Biografia do Autor

César Braga-Pinto, Northwerstern University

Doutor em Literatura Comparada (Universidade da Califórnia, Berkeley), professor de Literatura Brasileira e Comparada, ocupa a cátedra George F. Appel em Humanas da Northwestern University, Illinois, EUA.

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Publicado

2023-04-28

Como Citar

Braga-Pinto, C. (2023). Mulheres de bigode: masculinidades, gênero e a Guerra da Tríplice Aliança na ficção de Joaquim Manuel de Macedo. Via Atlântica, 24(1), 392-422. https://doi.org/10.11606/va.i43.196915

Edição

Seção

Dossiê 43: Sexo e sensibilidades eróticas na literatura luso-brasileira de Oitoc