Livro de uma sogra (1895), de Aluísio Azevedo (ou “como conservar o amor sexual”)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/va.i43.196964

Palavras-chave:

Aluísio Azevedo, Livro de uma sogra, erotismo, naturalismo, comércio livreiro

Resumo

Nesse trabalho, propomos estudar o Livro de uma sogra (1895), de Aluísio Azevedo, como um produto cultural comercialmente bem-sucedido. Para compreender o sucesso do livro, o situamos no contexto da expansão editorial do fim do século e do aparecimento dos “manuais práticos”. A obra se comunicava com o “sogrismo”, uma antiga tradição satírica que maldizia as sogras. Valia-se de apimentadas estratégias libertinas, como a narradora feminina ilustrada, e tinha como missão ensinar aos leitores como manter viva a chama sexual no casamento. Nessa visada, o Livro de uma sogra emerge como uma obra erótica, popular e cômica, que marcou a vida cultural da Belle Époque.

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Biografia do Autor

Leonardo Mendes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutor em Teoria Literária pela Universidade do Texas (EUA) e Professor Associado de Literaturas de Língua Inglesa e Teoria Literária do Departamento de Letras da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Marina Pozes Pereira dos Santos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Graduada em Letras (Português/Inglês) e Especialista em Estudos Literários pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É Mestre em Literatura Brasileira e Teorias da Literatura pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é professora de Língua Portuguesa da rede municipal de ensino de São Gonçalo (RJ) e cursa o Doutorado em Literatura Comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com pesquisa sobre os aspectos antipatriarcais do romance naturalista no Brasil.

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Publicado

2023-04-28

Como Citar

Mendes, L., & Santos, M. P. P. dos . (2023). Livro de uma sogra (1895), de Aluísio Azevedo (ou “como conservar o amor sexual”). Via Atlântica, 24(1), 328-358. https://doi.org/10.11606/va.i43.196964

Edição

Seção

Dossiê 43: Sexo e sensibilidades eróticas na literatura luso-brasileira de Oitoc