Gênero, emoções, afetos e cuidados: novos desafios para o campo da filosofia

Autores

  • Mateus Gustavo Coelho Universidade Federal de Santa Catarina. Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas
  • Cristina Scheibe Wolff Universidade Federal de Santa Catarina. Departamento de História

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v39i2p104-117

Palavras-chave:

Gênero, Filosofia, Feminismos, Campos discursivos, Espanto

Resumo

Este trabalho pretende traçar uma relação entre a recente abertura acadêmica da Filosofia para os estudos feministas no Brasil e de como estes, em grande parte, têm sido responsáveis por colocar novos desafios ao ato de filosofar a partir das possibilidades trazidas pela discussão das interações entre a categoria gênero, com os estudos de afetos, emoções e cuidado. Ao trazer os afetos e emoções, ligados ao gênero, para a discussão nas Ciências Humanas e na Filosofia, os estudos feministas buscam estabelecer relações com partes da vida humana que durante séculos foram deixadas de lado no pensamento filosófico. Temas como a relevância das emoções, o cuidado com o outro e os afetos cada vez mais se fazem presentes dentro dos espaços de debate. Os estudos feministas não apenas ampliaram as temáticas possíveis dentro da academia, como também propiciaram diferentes possibilidades de escrita ao dar ênfase às subjetividades. Partindo de uma análise bibliográfica de autoras que pesquisam o papel dos afetos, emoções e cuidados, defendemos aqui que os estudos feministas ao trazerem estes temas como categorias de análise trazem consigo o próprio ato de espantar-se e de afetar-se com o mundo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mateus Gustavo Coelho, Universidade Federal de Santa Catarina. Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas

Doutorando no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Cristina Scheibe Wolff, Universidade Federal de Santa Catarina. Departamento de História

Professora titular do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Referências

AHMED, Sara. The Cultural Politics of Emotion. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2004.

ARAÚJO, Carolina. “Mulheres na Pós-Graduação em Filosofia no Brasil – 2015”. São Paulo: ANPOF, 2016, disponível em <http://anpof.org/portal/images/Documentos/ARAUJOCarolina_Artigo_2016.pdf>

BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo: a experiência vivida. Vol. 2. Tradução de Sérgio Milliet. 2ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967.

BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo: mitos e fatos. Vol. 1. Tradução de Sérgio Milliet. 4ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1970.

BEARD, Mary. Mulheres e poder: um manifesto. Tradução de Celina Portocarrero. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.

BELTRÃO, Kaizô Iwakami; ALVES, José Eustáquio Diniz. “A reversão do hiato de gênero na educação brasileira no século XX”. Cadernos de Pesquisa, v. 39, n. 136, p. 125-156, jan./abr. 2009.

BEZERRA, Nathalia. “Mulher e universidade: a longa e difícil luta contra a invisibilidade”. Anais da Conferência Internacional sobre os Sete Saberes, 2010, Fortaleza. Fortaleza: UECE, 2010, p. 1-8.

BURNET, John. Early Greek Philosophy. 3. ed. Londres: A & C Black, 1920.

BUTLER, Judith. “Performativity, precariety and sexual politics”. Revista de Antropología Iberoamericana. Volume 4, número 3. Diciembre 2009. Madrid: Antropólogos Iberoamericanos, p. 1-13.

BUTLER, Judith. O clamor de Antígona: parentesco entre a vida e a morte. Tradução de André Cechinel. Florianópolis: Editora da UFSC, 2014.

CAPES. “Mulheres são maioria na pós-graduação brasileira”. Portal do Governo Brasileiro. Brasília, 03 março de 2017. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/mulheres-sao-maioria-na-pos-graduacao-brasileira. Acesso em: 27 maio de 2020.

CIXOUS, Hélène. The Laugh of the Medusa. Chicago: The University of Chicago Press, 1976.

COELHO, Mateus Gustavo. Gêneros desviantes: o conceito de gênero em Judith Butler. 2018. 101 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Filosofia, Centro de Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018.

CORNFORD, F. M. From Religion to Philosophy: a Study in the Origins of Western Speculation. New York: Harper Torchbooks, 1957.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 27ª ed. Petrópolis: Vozes, 1987.

GILLIGAN, C. Uma voz diferente. Psicologia da diferença entre homens e mulheres da infância à fase adulta. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1982.

GILLIGAN, C. Teoria psicológica e desenvolvimento da mulher. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997.

HAWKESWORTH, Mary. “A semiótica de um enterro prematuro: o feminismo em uma era pós-feminista”. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, volume 14, número 3, set./dez. 2006, p. 737-763.

IRIGARAY, Luce. Speculum of the other woman. New York: Cornell University Press, 1985.

KUHNEN, T. A. “A ética do cuidado como teoria feminista”. In: Anais do III Simpósio Gênero e Políticas Públicas. Londrina, 2014.

LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. Tradução de Suzana Funck. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Tendências e impasses – o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p. 206-242.

LECERCLE, Jean-Jacques; RILEY, Denise. The Force of Language. New York: Palgrave Macmillan, 2005.

LUGONES, María. “Rumo a um feminismo descolonial”. Estudos feministas, Florianópolis, 22(3), set./dez. 2014, p. 935-952.

LYOTARD, Jean-François. ¿Por qué filosofar?. Barcelona: Paidós, 1996.

LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. 12ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.

MACKENZIE, Iain. Identidade, diferença e filosofia política. In: Política: conceitos-chave em filosofia. Porto Alegre: ArtMed, 2011, p. 151-175.

MENEZES, Magali Mendes de. Por que as mulheres e a Filosofia?. In: CARVALHO, Marie Jane Soares; ROCHA, Cristianne Maria Fammer (Org.). Produzindo gênero. Encontro Nacional da Rede Brasileira de Estudos e Pesquisas Feministas. Porto Alegre: Sulina, 2004, p. 122-127.

PLATÃO. Diálogos: Teeteto - Crátilo. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: UFPA, 1973.

SÓFOCLES. Antígona. Tradução de Donaldo Schüler. Porto Alegre: L&PM, 2016.

VERNANT, Jean-Pierre. Do mito à razão. In: VERNANT, Jean-Pierre. Mito e pensamento entre os gregos: estudos de psicologia histórica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1988. Cap. 7, p. 441-474.

WITTIG, Monique. “The Mark of Gender”. Feminist Issues, Fall, 1985, p. 3-12.

WITTIG, Monique. The straight mind. In: FERGUSON, Russell et al. (Ed.). Out There: Marginalization and Contemporary Culture. Cambridge: The MIT Press, 1995, p. 51-57.

WARREN, K. J. The Power and the Promise of Ecological Feminism. In: ZIMMERMANN, Michael et al. (Org.). Environmental Philosophy. Upper Saddle River: Prentice Hall, 1998, p. 325-344.

ZIRBEL, Ilze. Uma teoria político-feminista do cuidado. 2016. 260 f. Tese (Doutorado) - Curso de Filosofia, Centro de Ciências Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016.

Downloads

Publicado

2021-12-21

Como Citar

Coelho, M. G., & Wolff, C. S. (2021). Gênero, emoções, afetos e cuidados: novos desafios para o campo da filosofia. Cadernos De Ética E Filosofia Política, 39(2), 104-117. https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v39i2p104-117