Intensificação laboral e gênero profissional de professoras da educação infantil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-0490.cpst.2023.188254

Palavras-chave:

Educação infantil, Intensificação do trabalho, Clínica da atividade, Trabalho docente

Resumo

As reformas neoliberais levaram à intensificação do trabalho, dado a exigência de maiores e melhores resultados em contextos laborais com condições insuficientes para realizá-lo. O presente artigo visa compreender, a partir do referencial teórico da Clínica da Atividade, a relação entre intensificação do trabalho docente e gênero profissional. Trata-se de estudo de caso derivado de uma intervenção com seis professoras da Educação Infantil, que utilizou o método de instrução ao sósia. Os registros de áudio produzidos ao longo das instruções ao sósia foram transcritos e submetidos à análise construtivo-interpretativa. O número de alunos por sala, fator inerente à organização do trabalho, era promotor da intensificação, uma vez que exigia mais dos profissionais sem a contrapartida necessária das condições de trabalho. Nesse cenário ocorreu a construção coletiva do que era chamado de “domínio de sala”, norma de proceder não oficializada, relativa às habilidades necessárias à atuação docente para lidar com a intensificação laboral. Houve, assim, a construção de uma cultura profissional que orientava a ação das docentes, de modo a viabilizar a atividade e preservar o poder de agir.

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Publicado

2023-04-05

Como Citar

Pinheiro, F. P. H. A., Rodrigues, C. S. D. ., Camelo, E. ., Sousa, F. V. de, Melo, Q. A. ., Marques, N. S. ., & Melo, P. B. de. (2023). Intensificação laboral e gênero profissional de professoras da educação infantil. Cadernos De Psicologia Social Do Trabalho, 26, e-188254. https://doi.org/10.11606/issn.1981-0490.cpst.2023.188254

Edição

Seção

Artigos Originais