A classificação dos animais segundo Aristóteles: recorte histórico e inserção didática

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2178-6224v17i2p195-218

Palavras-chave:

Classificação dos animais, Aristóteles, História da ciência no ensino

Resumo

O objetivo deste artigo é contribuir para a interface História da Biologia - Educação Científica. Apresenta uma síntese de aspectos da classificação dos animais proposta por Aristóteles (384-322 a.C.): uma visão geral do tipo de pesquisa que ele realizou, seus critérios, categorias de classificação e interpretações relacionadas a concepções de mundo específicas. Em livros didáticos de Ciências, a classificação dos seres vivos de Aristóteles costuma ser pouco mencionada, de modo que há uma apresentação de cunho memorístico restrita às ideias de Carl Nilsson Linnæus (1707-1778), as quais não parecem ter antecedentes. Considerando esse contexto, oferece uma proposta para a aplicação da História da Biologia na Educação Científica. Sugere uma sequência didática de cunho histórico-filosófico, a qual engloba aspectos da classificação aristotélica, de modo a contribuir para a percepção de que existiram outros pontos de vista influentes sobre a classificação dos animais, com categorias relacionadas às visões de mundo a que estavam associadas. Busca dessa forma proporcionar uma visão mais crítica da construção do conhecimento científico.

Biografia do Autor

  • Miceia de Paula Rodrigues, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    Possui graduação em Pedagogia pelo Centro Universitário Internacional (2018) e graduação em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário Luterano de Manaus/Universidade Luterana do Brasil (2010). Atualmente é Professor EAD do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas e Pedagoga do Sistema Socioeducativo da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental. Tem experiência em Gerenciamento de Projetos Educacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: Ressocialização, Educação Científica e Tecnológica, Espaços Não Formais de Ensino, Formação de Professores na Educação Básica de Ensino Público. É mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

  • Juliana Mesquita Hidalgo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

    É bacharel em Física pela Universidade Estadual de Campinas, mestre em Historia da Ciência (bolsista FAPESP) e doutora em Filosofia/ Filosofia da Ciência (bolsista FAPESP) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Realizou estágios de pós-doutoramento na UNICAMP (bolsista FAPESP) e na PUC-SP (bolsista FAPESP). Foi coordenadora de área do PIBID-Física CAPES na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente é professora ( nível associado 3) pesquisadora no Departamento de Física da UFRN, coordenadora da Licenciatura em Física, professora orientadora no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática e no Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física - Pólo UFRN. Atua principalmente nas áreas de História da Ciência, História e Filosofia da Ciência no Ensino e Natureza da Ciência. É integrante do Grupo de História, Teoria e Ensino de Ciências da Universidade de São Paulo (www.ghtc.usp.br) e do Grupo de Pesquisa em Ensino de Física e de Astronomia (UFRN).

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Publicado

2022-12-30

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

A classificação dos animais segundo Aristóteles: recorte histórico e inserção didática. Filosofia e História da Biologia , [S. l.], v. 17, n. 2, p. 195–218, 2022. DOI: 10.11606/issn.2178-6224v17i2p195-218. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/fhb/article/view/fhb-v17-n2-04.. Acesso em: 26 maio. 2024.