A afirmação do português como língua de ciência: o caso da Botânica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v19i1p113-126

Palavras-chave:

Léxico. Terminologia. Ciência. Botânica.

Resumo

Em uma época em que o latim imperava como língua da ciência, surge em Coimbra, publicada pela Real Officina da Universidade, uma obra determinante para o estudo e o ensino da Botânica em Portugal. Trata-se do Diccionario dos termos technicos de historia natural, de Domingos Vandelli. Nesta obra, Vandelli transpõe para o português a terminologia latina usada por Lineu e outros naturalistas europeus, o que, para além de ser uma marca de modernidade, torna acessível a um maior número de falantes do português o estudo das ciências naturais. Neste artigo, além da análise da importância e das particularidades linguísticas da obra – algumas das quais decorrentes da origem do autor, pela sua condição de falante não nativo do português –, prestar-se-á atenção aos aspetos formais da elaboração do texto e às soluções encontradas pelo autor na tradução dos termos latinos.

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Biografia do Autor

Rui Abel Pereira, Universidade de Coimbra. Faculdade de Letras

Professor adjunto do Instituto Politécnico de Macau  e membro integrado do CELGA/ ILTEC, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal.

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Publicado

2017-12-01

Como Citar

Pereira, R. A. (2017). A afirmação do português como língua de ciência: o caso da Botânica. Filologia E Linguística Portuguesa, 19(1), 113-126. https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v19i1p113-126

Edição

Seção

Artigos