Populações tradicionais e conflitos em áreas protegidas

Autores

  • Márcia Aparecida Silva Pimentel Universidade Federal do Pará-UFPA
  • Wagner Costa Ribeiro Universidade de São Paulo-USP

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2016.122692

Palavras-chave:

Território. Territorialidade. Unidades de conservação. Gestão. Conflitos.

Resumo

Populações tradicionais são grupos locais que usam seus conhecimentos dos elementos da natureza e de sua dinâmica para sobreviver. Aqui se analisam essas populações e os conflitos em áreas protegidas a partir de uma revisão da literatura e incluindo referências nacionais e estrangeiras, o que permite comparar aspectos comuns de realidades diferentes. Constata-se que a origem dos conflitos está na concepção de áreas protegidas, que se têm sustentado em parâmetros essencialmente ambientais e com uma visão de ambiente que vê a sociedade como externa. Com base nos conceitos de território e territorialidade, a análise geográfica dos conflitos permitiu interpretá-los nos aspectos institucional, econômico, social e cultural, sendo a identificação e a compreensão de suas raízes fatores fundamentais para a gestão dessas áreas.

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Biografia do Autor

Márcia Aparecida Silva Pimentel, Universidade Federal do Pará-UFPA

Faculdade de Geografia

Wagner Costa Ribeiro, Universidade de São Paulo-USP

Departamento de Geografia

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Publicado

2016-08-21

Como Citar

PIMENTEL, M. A. S.; RIBEIRO, W. C. Populações tradicionais e conflitos em áreas protegidas. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), [S. l.], v. 20, n. 2, p. 224-237, 2016. DOI: 10.11606/issn.2179-0892.geousp.2016.122692. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/geousp/article/view/122692. Acesso em: 27 jul. 2021.

Edição

Seção

⟢ do ambiente e da sociedade