Em diversos pontos da rede: divisão territorial das operações de Contact Center no Brasil

Autores

  • Marina Castro Almeida USP

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2014.83537

Palavras-chave:

empresas de Contact Center, divisão territorial do trabalho, uso corporativo do território, desenvolvimento geográfico desigual, ajuste espacial.

Resumo

O artigo tem como objetivo analisar a apropriação do desenvolvimento geográfico desigual brasileiro pelas empresas de Contact Center. A constituição e expansão das operações brasileiras de teleatendimento estão atreladas às privatizações do setor de telecomunicações, com a aquisição das empresas estatais por grandes transnacionais, e a consequente terceirização dos serviços a partir do final da década de 1990. A análise da divisão territorial do trabalho das empresas Contact Center revela a presença de forças centrípetas, com a manutenção do controle nas principais metrópoles brasileiras, e centrífugas, com a dispersão das unidades de produção para os centros urbanos não metropolitanos e para a região Nordeste. O uso seletivo da densidade técnica e informacional do território brasileiro permite às empresas a incorporação lucrativa de áreas onde os recursos, principalmente, capital e trabalho, são desvalorizados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marina Castro Almeida, USP

Possui graduação em pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002), mestrado em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (2005) e doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (2013), com estágio de doutoramento no Graduate Center (City University of New York) sob supervisão do Professor Neil Smith. Tem experiência na área de Geografia Humana, com ênfase em Geografia Econômica e Redes Geográficas, atuando principalmente nos seguintes temas: globalização, desenvolvimento geográfico desigual, distribuição territorial dos serviços prestados às empresas e precarização do trabalho.

Referências

ABT/PUC-SP. Associação Brasileira de Telesserviços. Relatório da indústria de Call Centers no Brasil, 2005. Disponível em: <http://www.abt.org.br>. Acesso em: 8 nov. 2014.

ALMEIDA, M. C. Em outro ponto da rede: desenvolvimento geográfico desigual e o “vaivém” do capital nas operações de contact center. Tese (Doutorado em Geografia Humana) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.

ANTUNES, R. Século XXI: nova era da precarização estrutural do trabalho?. In: ______; BRAGA, R. Infoproletários: degradação real do trabalho virtual. São Paulo: Boitempo, 2009. p. 231-238.

ARAÚJO, T. B. A máquina da desigualdade. Le Monde Diplomatique Brasil, São Paulo, p. 6-9, 8 nov. 2007.

ARRIGHI, G. O longo século XX. São Paulo: Unesp, 1996.

ATENTO se reestrutura e contrata. Valor Econômico, São Paulo, 28 fev. 2013. Empresas e Tecnologia.

BENKO, G.; PECQUEUR, B. Os recursos de territórios e os territórios de recursos. Geosul, Florianópolis, v. 16, n. 32, p. 31-50, 2001.

CALLCENTER.INF.BR.2013. Ranking. Disponível em: <http://ranking.callcenter.inf.br>. Acesso em: 8 nov. 2014.

CAMAROTTO, M. Nordeste é "Nova Índia" para setor de call center. Valor Econômico, 2011. Disponível em: <http://www.valor.com.br/empresas/993338/nordeste-e-%E2%80%9Cnova-india%E2%80%9D-para-setor-de-call-center>. Acesso em: 8 nov. 2014.

CASTILLO, R. A. Sistemas técnicos atuais e organização do território brasileiro. Redes corporativas e competitividade territorial, 2003. Mimeo.

______; TOLEDO JUNIOR, R.; ANDRADE, J. Três dimensões da solidariedade em geografia. Autonomia político territorial e tributação. Revista Experimental, São Paulo, ano III, n. 3, p. 69-99, 1997.

CENSO DEMOGRÁFICO/IBGE, 2012. Disponível em: <http://www.censo2010.ibge.gov.br>. Acesso em: 8 nov. 2014.

CHAUÍ, M. Uma nova classe trabalhadora. In: SADER, Emir (Org.) 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. São Paulo: Boitempo, 2013. p. 123-134.

CONTAX. Relatório Anual, 2013. Disponível em: <http://ri.contax.com.br/contax/web/arquivos/Contax_RelAtividade_20120801_port.pdf>. Acesso em: 8 nov. 2013.

CONTAX terá 60% dos atendentes no Nordeste. Valor Econômico, São Paulo, 13 ago. 2013. Empresas e Tecnologia.

DESCENTRALIZAÇÃO: São Paulo descobre o Brasil. Revista Consumidor Moderno, 3 maio 2013.

DIAS, L. C. Os sentidos da rede: notas para discussão. In: ______; SILVEIRA, R. L. Redes, sociedades e territórios. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2005. p. 11-28.

______. Redes: emergência e organização. In: Geografia: conceitos e temas. CASTRO, I. E.; GOMES, P. C.; CORRÊA, R. L. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. p. 141-162.

FIORI, J. L. 60 lições dos 90: uma década de neoliberalismo. São Paulo: Record, 2001.

HARVEY, D. O novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2010.

______. The limits to capital. London: Verso, 2006.

______. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola, 2004.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades: Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/link.php?codmun=314810>. Acesso em: 8 nov. 2014.

ISNARD, H. O espaço geográfico. Coimbra: Almedina, 1982.

MARX K. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2013[1867]. Livro I: O processo de produção do capital.

MÉSZÁROS, I. A teoria da alienação em Marx. São Paulo: Boitempo, 2006[1970].

MTE/CAGED. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Classificação Brasileira de Ocupações. Brasília, 2014. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/portal-pdet/o-pdet/registros-administrativos/comparativo-rais-x-caged.htm>. Acesso em: 13 nov. 2014.

______. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Classificação Brasileira de Ocupações. Brasília, 2013. Disponível em: <http://bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_acerto/ caged_acerto_basico_tabela.php>. Acesso em: 8 nov. 2014.

MTE/RAIS. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Relação Anual de Informações Sociais. Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda. Brasília, 2013. Disponível em: <http://portal.mte.gov.br/rais/>. Acesso em: 13 nov. 2014.

MULHER morre após passar mal dentro de empresa de telemarketing no Recife. Nordeste10, Recife, 3 ago. 2011. Grande Recife Política.

PECK, J. Geography and public policy: constructions of neoliberalism. Progress in Human Geography, v. 27, n. 2, p. 222-232, 2003.

______; TICKEL, A. Neoliberalizing Space. In: BRENNER, N.; THEODORE, N. (Eds.). Spaces of Neoliberalism: Urban Restructuring in North America an Western Europe. Malden: Blackwell Publishing, 2002. p. 33-57.

PRAUN, L. A reestruturação negociada na Volkswagen: São Bernardo do Campo. In: ANTUNES, R. (Org.). Riqueza e miséria do trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006.

SANTOS, M. Guerra dos lugares. Folha de S.Paulo. 8 ago. 1999.

______. Espaço e método. São Paulo: Nobel, 1997.

______. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.

______. Por uma economia política da cidade: o caso de São Paulo. São Paulo: Educ/Hucitec,1994.

______. Sociedade e espaço: a formação social como categoria e como método. Boletim Paulista de Geografia, n. 54, p. 81-100, 1977.

______; SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.

SASSEN, S. Sociologia da globalização. Porto Alegre: Artmed, 2010[2007].

SILVA, A. B. São Paulo, produção de informações e reorganização do território brasileiro. Tese (Doutorado em Geografia Humana) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.

SMITH, N. Gentrificação, a fronteira e a reestruturação do espaço urbano. Geousp – Espaço e Tempo, São Paulo, n. 21, p. 15-31, 2007.

______. Scale Bending and the Fate of the National. In: SHEPPARD, E.; MCMASTER, R. B. (Eds.). Scale and Geographic Inquiry: Nature, Society, and Method. Malden: Blackwell Publishing, 2004. p. 192-212.

______. Desenvolvimento desigual: natureza, capital e a produção de espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988.

SPOSITO, M. E. O chão em pedaços: urbanização, economia e cidades no estado de São Paulo. Tese (Livre Docência em Geografia) – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2004.

SWYNGEDOUW, E. Scaled geographies: Nature, Place, and the Polices of Scale. In: SHEPPARD, E.; MCMASTER, R. B. (Eds.). Scale and Geographic Inquiry: Nature, Society, and Method. Malden: Blackwell Publishing, 2004. p. 129-153, 2004.

______. Neither global nor local: ‘Glocalization’ and the Politics of Scale. In: COX, K. (Ed.). Spaces of Globalization. New York: Guilford Press, 1997. p. 137-166.

TELEMARKETING em Pernambuco: pior salário do país! Sintelmerketing-PE, Jornal do Sindicato, 3 mar. 2010. Disponível em: <http://sintelmarketing.blogspot.com.br/2010_03_01_archive.html>. Acesso em: 8 nov. 2014.

VAINER, C. Fragmentação e projeto nacional: desafios para o planejamento territorial. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL, 12., Belém, 2007. Anais... Belém: Anpur, 2007.

VENCO, S. B. Novos espaços de produção, novos proletariados não operários? In: CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 13., 2007, Recife. Anais... Recife, 2007. p. 1-15. Disponível em: <http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=151&Itemid=171>. Acesso em: 18 nov. 2014.

Downloads

Publicado

2014-12-12

Como Citar

ALMEIDA, M. C. Em diversos pontos da rede: divisão territorial das operações de Contact Center no Brasil. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), [S. l.], v. 18, n. 3, p. 512-530, 2014. DOI: 10.11606/issn.2179-0892.geousp.2014.83537. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/geousp/article/view/83537. Acesso em: 3 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos