Rosa Luxemburg e a expansão imanente do capitalismo: destruição, resistência e recriação dos territórios e das relações não capitalistas

  • Gustavo Francisco Teixeira Prieto
Palavras-chave: Rosa Luxemburg. Peasantry. Primitive communism. Territory. Non-capitalist production relations.

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar os escritos econômicos luxemburguianos, sobretudo o manuscrito Introdução à economia política, a partir da hipótese de que Rosa Luxemburg constrói uma tríade da formação das classes sociais capitalistas formulando uma interpretação não etapista e não evolucionista da história: destruição, resistência e recriação dos modos comunitários de produção e do campesinato são possibilidades abertas no processo de expansão do capitalismo sobre seus territórios. A análise da múltipla convivência de modos de produção e a noção de recriação de relações não capitalistas de produção a partir da reflexão de Luxemburg sobre os camponeses e o chamado comunismo primitivo explicitam a crítica ao progresso linear do espaço e da história e à barbárie moderna do capitalismo. A geografia agrária brasileira é tributária das interpretações luxemburguianas, e objetivamos também contribuir com a compreensão desse vínculo teórico e metodológico.

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Biografia do Autor

Gustavo Francisco Teixeira Prieto
Graduado em Geografia na Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre e doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) com estágio de doutorado sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS).

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Publicado
2018-03-15
Como Citar
Prieto, G. F. (2018). Rosa Luxemburg e a expansão imanente do capitalismo: destruição, resistência e recriação dos territórios e das relações não capitalistas. GEOUSP: Espaço E Tempo (Online), 21(3), 812-829. https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2017.99827
Seção
Artigos