Volúpia de ser pássaro: o canto-resistência dos “Poemas aos homens do nosso tempo”, de Hilda Hilst

  • Andréa Jamilly Rodrigues Leitão Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Ditadura militar. Engajamento. Resistência poética. Hilda Hilst.

Resumo

O presente trabalho pretende explorar a resistência poética de Hilda Hilst, com base na leitura dos “Poemas aos homens do nosso tempo”, pertencentes à obra Júbilo memória noviciado da paixão (1974). O contexto de publicação remonta ao período da ditadura militar, marcado pela censura, a ausência de liberdade e a supressão dos direitos humanos. As obras de arte possuíam, sob a forma de um imperativo, o compromisso de posicionar-se diante dos acontecimentos concretos da realidade. Neste sentido, pretende-se refletir acerca das contribuições e das limitações da noção de engajamento proposta por Jean-Paul Sartre (1989). Como um ato fundamental de amor, o canto-resistência hilstiano manifesta-se no esforço de restabelecer o élan fraterno entre os seres humanos e destes com a palavra poética. Os poemas da escritora conferem grandeza à arte, tendo em vista que cabe ao poeta o papel primordial de repensar criticamente o mundo.

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Biografia do Autor

Andréa Jamilly Rodrigues Leitão, Universidade de São Paulo
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo (USP).

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Publicado
2018-07-29
Como Citar
Leitão, A. (2018). Volúpia de ser pássaro: o canto-resistência dos “Poemas aos homens do nosso tempo”, de Hilda Hilst. Opiniães, (12), 149-164. https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2018.143394