Da genealogia ao sangue:

o corpo coletivo em Sangria, de Luiza Romão

Palavras-chave: Literatura marginal-periférica, Slams, Luiza Romão, Sangria, Poesia contemporânea, Estudos de gênero

Resumo

Luiza Romão é uma poeta contemporânea contundente que desconstrói, por meio de seus versos, discursos hegemônicos arraigados, tensionando questões de gênero, raça e classe, em uma perspectiva feminista interseccional. Inscrita na literatura marginal-periférica, a autora é pioneira no movimento dos slams e abriu portas para que outras escritoras encontrassem seu espaço nas batalhas de poesia oral. Sangria (2017, Selo do Burro), seu segundo livro reconta a história do Brasil pela perspectiva do útero, como num ciclo menstrual. Vinte e oito poemas problematizam o lugar da mulher na sociedade, as estruturas patriarcais, o discurso misógino e racista e fazem da obra uma resposta contundente à situação política e social em que estamos inseridos. Sangria é palavra em estado de lança, corte que revela as fendas e violências. Neste artigo analisaremos o contexto em que Luiza Romão está inserida, a concepção estética do livro, seus poemas e a maneira como a literatura se converte em ferramenta para resgatar vozes silenciadas e revidar práticas opressoras.

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Biografia do Autor

Pilar Lago e Lousa, Doutoranda - Universidade Estadual de Campinas - Unicamp

Mestra em Estudos Literários pela Universidade Federal de Goiás - UFG. Doutoranda em Teoria e História Literária do Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp, Campinas – SP, Brasil. Orientanda da professora Dra. Suzi Frankl Sperber. Atua principalmente na área de Literatura Contemporânea, representação e autorrepresentação na Literatura Contemporânea, Estudos de Gênero e Teoria e Crítica Literária. e-mail: pilarbu@gmail.com.

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Publicado
2019-12-27
Como Citar
Lousa, P. (2019). Da genealogia ao sangue:. Opiniães, (15), 98-122. https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2019.164400
Seção
Cultura brasileira em questão