Ação política, trabalho e resistência africana nos diários de viagem de H. Rider Haggard (África do Sul, 1914)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2021.168103

Palavras-chave:

História da África, África do Sul, H. Rider Haggard, colonialismo, relatos de viajantes

Resumo

O período em torno da formalização da União Sul-Africana (1910) foi caracterizado por debates políticos acerca da identidade nacional sul-africana, bem como pela promulgação de legislações de caráter segregacionista e da negação de direitos políticos à população negra. Nesse contexto, o romancista britânico H. Rider Haggard (1856-1925) retornou à África do Sul, onde viveu em sua juventude, e registrou suas impressões de viagem em diários. O artigo visa analisar as marcas da articulação política e da resistência africana nos diários de viagem de Haggard, com atenção especial ao contexto laboral e aos mundos do trabalho de sul-africanos negros e dos chamados “brancos pobres”. A despeito do alinhamento político de Haggard, os relatos do romancista possibilitam vislumbrar rastros fragmentários das reivindicações desses sujeitos históricos num contexto de institucionalização de leis excludentes. 

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Biografia do Autor

Evander Ruthieri da Silva, Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná. Professor adjunto de História da África no Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil. 

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2021-04-13

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