Informalidade urbana, classe trabalhadora e raça no Rio de Janeiro: a história dos censos de favelas (1948-1960)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2021.170643

Palavras-chave:

Rio de Janeiro, Censos de Favelas, Favelas cariocas, Instituto Brasileiro de Geografa e Estatística, Classe e Raça, IBGE

Resumo

O artigo analisa a história dos censos de favelas no Rio de Janeiro produzidos no âmbito do sistema censitário formado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ao contrário de analisar os dados estatísticos como transparência do real, compreende-as como uma tecnologia de governo relacionada às políticas públicas e às relações de poder. Os censos de favelas estabeleceram novos parâmetros para representar a pobreza urbana no Brasil. A definição do que seria uma favela a partir de variáveis quantificáveis, a diferenciação entre os “trabalhadores” e os “inativos” e a imaginação da diferença racial negra nas favelas foram temas politizados, tendo grande variação na forma de registro nas primeiras estatísticas. A análise compreende as estatísticas de 1949, 1950 e 1960.

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Biografia do Autor

Samuel Silva Rodrigues de Oliveira, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca

Doutor em História, política e bens culturais pela Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV) e professor do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca e do Programa de Relações Étnico-Raciais (PPRER/CEFET-RJ). 

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Publicado

2021-07-21

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Artigos