Foi lá no Candeal que plantei a minha mata. Um culto familiar a Ogum. Salvador c. 1813-c.1970

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2022.180892

Palavras-chave:

Candomblé da Bahia, Hauçás, Tradição oral, Ogum, Culto familiar, Sincretismo

Resumo

No Candeal Pequeno, bairro popular da cidade do Salvador, há um altar dedicado ao orixá Ogum, que, segundo a memória oral, foi estabelecido por um próspero casal de africanos, senhores de muitas terras e fundadores do bairro. O presente texto reconstrói a trajetória da família e do seu envolvimento no culto a Ogum, identificando influências étnicas heterogêneas que variaram ao longo do tempo. Depois, o texto discute o papel desse orixá entre diferentes povos da região do Golfo do Benim e sua importância para lavradores, atividade principal do casal e de várias gerações de seus descendentes. O caso individual da família fornece insumos importantes sobre o envolvimento de africanos libertos na lavoura e sobre as influências mútuas entre grupos étnicos africanos no âmbito religioso no Brasil e na África.

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Biografia do Autor

  • Lisa Earl Castillo, Universidade Estadual de Campinas

    Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia (2006), com diversas publicações sobre a história do candomblé e sobre africanos libertos, especialmente os que retornaram para a África. Bolsista do Schomburg Center for Research in Black Culture, em Nova Iorque, EUA (2019).

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Publicado

2022-01-05

Edição

Seção

História e Religião

Como Citar

CASTILLO, Lisa Earl. Foi lá no Candeal que plantei a minha mata. Um culto familiar a Ogum. Salvador c. 1813-c.1970. Revista de História, São Paulo, n. 181, p. 1–37, 2022. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.rh.2022.180892. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/180892.. Acesso em: 17 abr. 2024.