H.M.R.S. Crescent: navio hospital e presiganga britânica no porto do Rio de Janeiro, 1840-1854

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2023.195677

Palavras-chave:

Escravidão, abolicionismo, africanos livres, tráfico de escravos, diplomacia

Resumo

 

Do início de 1840 até 1854 o governo britânico instalou a embarcação H.M.R.S. Crescent no porto do Rio de Janeiro para receber os africanos libertados dos navios negreiros e as tripulações destas embarcações até o julgamento do caso pelo Tribunal da Comissão Mista. A intenção era que essa embarcação servisse, ao mesmo tempo, como alojamento, hospital e prisão. Por meio da documentação consular britânica sobre o tráfico de escravos, este artigo explora a importância desse navio no “esquema de imigração africana” para as colônias das Índias Ocidentais, os benefícios dessa estratégia para os africanos libertados, e o que ela significou para o abolicionismo britânico. Da mesma forma, também avalia como a presença do Crescent incomodou as autoridades nacionais, que viram nele uma violação da soberania brasileira. Por último, conclui que as autoridades britânicas, ainda que motivadas pelo interesse da transferência de trabalhadores para as Índias Ocidentais, estavam de fato preocupadas com o bem-estar dos africanos.

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Biografia do Autor

Henrique Antonio Ré, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia

Pós-doutorando no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

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Publicado

2024-01-22

Como Citar

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