O futuro da Educação na Universidade: avanços possíveis e necessários

Autores

  • Fabio Carmona Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Departamento de Puericultura e Pediatria. Ribeirão Preto (SP), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5743-0325
  • Mário Luís Ribeiro Cesaretti Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde. Departamento de Clínica. https://orcid.org/0000-0003-0631-6498
  • Anamaria Siriani de Oliveira Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Departamento de Ciências da Saúde. Ribeirão Preto, (SP) Brasil https://orcid.org/0000-0001-5854-0016
  • Valdes Roberto Bollela Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Departamento de Clínica Médica. Ribeirão Preto (SP), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-8221-4701

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2021.189735

Palavras-chave:

Capacitação de Professores, Educação em Saúde, Tecnologia Educacional, Relações Interpessoais, Saúde do Estudante, Covid-19

Resumo

Este artigo traz uma reflexão sobre transformações possíveis e necessárias, a partir das experiências vividas por docentes, estudantes e instituições de ensino ao longo do ano de 2020, na medida em que sobreviviam, aprendiam e se adaptavam à pandemia da COVID-19. Não resta dúvidas de que a maneira de ensinar deverá estar alicerçada em conhecimentos pedagógicos, práticas colaborativas, na tecnologia educacional, infraestrutura de informática e práticas avaliativas que favoreçam a aprendizagem, através do feedback e da interação mais próxima entre aprendiz e professor. O futuro aponta para o ensino híbrido que deve auxiliar os estudantes a alcançarem a competência para a prática profissional. O desenvolvimento de habilidades interpessoais será fundamental, em especial na formação de profissionais da área da saúde. A oferta de oportunidades para o desenvolvimento docente e a estruturação de comunidades de prática para a aprendizagem colaborativa também serão essenciais.

A maior flexibilização dos currículos e a mediação tecnológica do processo de ensino e aprendizagem devem favorecer intercâmbios e a internacionalização das instituições de ensino.  Deste modo, tanto o ensino de graduação, pós-graduação lato e stricto-sensu tende a ampliar seu escopo e deixará de ficar circunscrito aos seus nichos de origem, expandindo-se para a realização de convênios nacionais e internacionais.

Os espaços universitários e os momentos presenciais deverão estar adaptados a nova realidade, que permita ao estudante a aquisição de competências clínicas e relacionais essenciais e que requerem atividades presenciais em cenários da prática profissional. Na área da saúde garantir estes momentos de formação seguirá como um requisito fundamental, assim, as salas de aula, os laboratórios e os campos de estágios devem ser seguros, permitindo uma orientação e supervisão direta por parte dos docentes e preceptores. Além disso, será necessário reafirmar que não existe dilema entre a formação de profissionais da saúde e a segurança do paciente, como houve a partir da suspensão das atividades práticas da maioria dos estudantes dos cursos da saúde no Brasil. Formar profissionais da saúde, num contexto de emergência sanitária, tem importância equivalente a cuidar de pessoas em qualquer cenário. Isso vale também para o acesso a equipamentos de proteção individual e a vacinas. Os desafios estão lançados e as possibilidades de avanço emergem e precisam ser aproveitadas a partir de um trabalho coeso entre gestores universitários, corpo docente, técnico administrativo e discentes.

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Biografia do Autor

Fabio Carmona, Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Departamento de Puericultura e Pediatria. Ribeirão Preto (SP), Brasil.

Docente do Departamento de Puericultura e Pediatria.

Mário Luís Ribeiro Cesaretti, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde. Departamento de Clínica.

Docente do Departamento de Clínica da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde – PUC-SP

Anamaria Siriani de Oliveira, Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Departamento de Ciências da Saúde. Ribeirão Preto, (SP) Brasil

Professora Associada do Departamento de Ciências da Saúde. 

Valdes Roberto Bollela, Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Departamento de Clínica Médica. Ribeirão Preto (SP), Brasil.

Docente do Departamento de Clínica Médica.

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Publicado

2021-08-20

Como Citar

1.
Carmona F, Cesaretti MLR, Oliveira AS de, Bollela VR. O futuro da Educação na Universidade: avanços possíveis e necessários. Medicina (Ribeirão Preto) [Internet]. 20 de agosto de 2021 [citado 16 de outubro de 2021];54(Supl 1):e-189735. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/189735
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