A cidade (res)significada

A ideologia de modernização de Cuiabá no período pós-divisão do Estado de Mato Grosso

Autores

  • Nathália da Costa Amedi Secretaria de Educação Estadual do Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.11606/ran.v0i4.88864

Palavras-chave:

Cuiabá/MT, Ideologia, Modernização

Resumo

Este artigo é resultado parcial do projeto de mestrado, que trata dos discursos de modernização forjados sobre a cidade de Cuiabá, capital de Mato Grosso, no contexto da pós-divisão do Estado em 1977, pelos diferentes espaços de formação de opinião pública: governo, imprensa, academia e associações representativas. Com a divisão do Estado de Mato Grosso e o desmembramento da parte sul do seu território em 1979, Cuiabá se viu diante de um grande desafio: encontrar a sua vocação. O objetivo, naquele momento, era encontrar os caminhos para sair da “estagnação”, do “atraso” e do “isolamento” que parecia viver Mato Grosso e sua capital. Se anteriormente à divisão do Estado, o objetivo de Cuiabá era manter sua condição de capital, passada essa fase, o desafio era transformar a cidade de passado colonial numa “nova capital”, moderna e digna de representar um “novo Estado”. Mas para lançar mão desse ideal e fazer as modificações na materialidade da cidade, seria necessário construir um discurso, vinculado a uma elite política e intelectual, de forte viés ideológico que fosse capaz de produzir nas pessoas uma necessidade, que transformada em desejo se confundiria com um anseio social, levando-as à ação. Este artigo pretende, a partir das proposições do crítico literário Terry Eagleton, no livro A ideologia da estética, analisar a ideologia presente nos discursos de modernização da cidade de Cuiabá no pós-divisão do Estado de Mato Grosso, por meio de duas revistas comemorativas do aniversário de Cuiabá, Cuiabá 259, de 1978 (anterior a divisão do Estado) e Cuiabá 260: início, meio ou fim?, de 1979 (posterior a divisão), tendo como mote de fundamentação o conceito de cultura. Concluímos observando que, no final da década de 1980, um discurso preservacionista de valorização e “resgate” da cultura e da identidade cuiabana foi empreendido por artistas, intelectuais com aval do Estado de Mato Grosso e do município. Percebe-se uma tentativa de apropriação da cultura popular mato- grossense por uma elite, dando uma característica moderna a essa cultura, mas sem perder o viés da tradição, principalmente, no campo das artes plásticas. A partir daí um jeito de “ser” cuiabano será difundido, consumido e comercializado nas mais diversas formas e materiais, como bens de consumo e com a chancela cultural regional. 

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Publicado

2013-05-27

Como Citar

Amedi, N. da C. (2013). A cidade (res)significada: A ideologia de modernização de Cuiabá no período pós-divisão do Estado de Mato Grosso. Revista Angelus Novus, (4), 41 - 64. https://doi.org/10.11606/ran.v0i4.88864