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São Paulo, 29 de outubro de 2021

CHAMADA DE LONGO PRAZO

Caros autores,

A RC&F, ao mesmo tempo em que zela para manter o seu escopo, também atua de maneira adaptada às mudanças do ambiente, tendo particular interesse em artigos de várias temáticas, sem prejuízo dos temas tradicionais da área. A materialização dessa informação é feita por meio do que nomeamos “chamada de longo prazo”.  

Os principais estímulos para essa ação são: i. descontentamento frequente sobre o distanciamento das pesquisas em relação às realidades das organizações; ii. como consequência do item anterior, frequente questionamento sobre a utilidade das publicações; iii. ocorrência de mudanças disruptivas no ambiente organizacional, como por exemplo, a dimensão da transformação digital, com enorme espaço para pesquisa e publicação; e iv. repetição de pesquisas sobre os mesmos temas com baixa inovação.

Uma das causas dos problemas acima decorre do fato de que os pesquisadores olham o “retrovisor”, ou seja, aquilo que já foi publicado. Percebemos a possibilidade de instigação por parte dos periódicos sobre oportunidades de pesquisas que os editores identificam e que podem influenciar novos projetos de pesquisa. Por isso, introduzimos a “chamada de longo prazo” e suas características são:

  1. Não tem data para encerramento. Queremos trabalhos com alta qualidade e o tempo é uma variável relevante. Assim que percebermos novas oportunidades, instigaremos a comunidade com novas chamadas.
  2. Dispondo de artigos em quantidade suficiente, geraremos edições temáticas, adicionais às edições regulares, na perspectiva de fast track em termos de publicação.

Os editores associados especificaram os temas que consideram prioritários em termos de artigos que gostariam de receber por meio de alguns exemplos:

Contabilidade gerencial e controladoria:

  • Uso de fontes de dados inovadoras na contabilidade gerencial – p. ex: uso de “big data” para tomada de decisões; uso de informações em tempo real para gerenciamento de desempenho; uso e análise de informações não estruturadas, como vídeos e textos; etc.;
  • Transformação digital e papel da contabilidade gerencial – p. ex: como a transformação digital afeta os sistemas de contabilidade gerencial e de controle; como os sistemas de contabilidade gerencial e controle influenciam na transformação digital das organizações; desenvolvimento profissional: controller vs. data scientist, ;
  • Novas formas de trabalho e os sistemas de controle gerencial - p. ex: trabalho remoto e os sistemas de controle gerencial; avaliação de desempenho e sistemas de incentivos em contratos intermitentes e/ou temporário; o processo de “uberização” e o papel da contabilidade gerencial; etc.
  • Sustentabilidade e contabilidade gerencial – p. ex: qual é a influência de iniciativas ESG sobre sistemas de contabilidade gerencial; como a contabilidade gerencial pode apoiar e/ou restringir iniciativas ligadas aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento sustentáveis); etc.
  • A relevância social da contabilidade gerencial – p. ex: como a contabilidade gerencial pode se envolver e influenciar a regulação externa e governança das organizações; como a contabilidade gerencial influencia e molda os mercados e quais as consequências sociais desse processo; etc.
  • Uso de novas tecnologias e a contabilidade gerencial – p. ex.: Uso e implicações da inteligência artificial na contabilidade gerencial, uso e implicações do block-chain na contabilidade gerencial, uso e implicações de técnicas avançadas de data anaytics na contabilidade gerencial; aceitação e barreiras no uso de “black box” algoritmos no processo de tomada de decisões, etc.

Contabilidade financeira:

  • Inovações na Teoria da Contabilidade – p. ex.: estrutura conceitual básica; essência versus forma; fidedignidade; modelo do resultado pelo operational income ou all inclusive; resultado abrangente; criação de novas classificações das demonstrações contábeis; análise crítica das avaliações a custo, a valor de reposição e a justo, com valores nominais e corrigidos; demonstrações contábeis com múltiplos critérios de mensuração; demonstrações pro forma, demonstrações combinadas; consolidação proporcional; contribuição da contabilidade ao valuation; análise crítica e inovações no reconhecimento de ativos e passivos; prevalência: competência ou definição de ativo e passivo; desempenho passado versus projeções; melhorias nos conceitos de ativo, passivo, receita e despesa; taxas de desconto; contabilidade na descontinuidade; contabilidades diferentes para diferentes tamanhos de empresas; divulgação; concessões; balanço social (recursos humanos, ESG, valor adicionado); riscos operacionais, financeiro e outros; materialidade e relevância; indiciadores não financeiros; goodwill (do ativo e do passivo) etc.
  • Análise Crítica das Normas Internacionais de Contabilidade – p. ex.: problemas derivados da replicação de critérios da demonstração consolidada para a demonstração individual; contratos executórios; capitalização de direitos de uso, limites da essência sobre a forma; ativos intangíveis – reconhecimento e mensuração; capital humano; análise crítica do conceito de lucro nominal; análise do lucro “operacional”, contabilização dos instrumentos financeiros, títulos de dívida e equity, demonstração separada, demonstração do resultado por função versus por natureza, transações entre entidade sob controle comum; POC versus nas chaves na atividade imobiliária; ativo e passivo contingente; mensuração a valor justo e taxa de desconto; reconhecimento de receita; divulgação; divulgação dos riscos contabilidade de hedge; concessões;  contabilidade inflacionária; etc.
  • Criatividade na Análise de Balanços – p. ex.: aperfeiçoamento de modelos integrados de avaliação de desempenho; contribuição do valor da dívida ao valor da empresa; avaliação de desempenho versus prognósticos futuros; indicadores versus leitura; análise crítica dos indicadores de desempenho, liquidez e outros; efeitos da inflação; uso da demonstração do valor adicionado; análise do risco; efeito das normas contábeis na análise de balanços; indicadores padrão; moeda funcional diferente do real; introdução ao valuation; goodwill do passivo; etc.
  • Sustentabilidade – p.ex.: Contribuições da contabilidade para projetos conjuntos sobre as ODS.

 Mercado financeiro e integração empresas/stakeholders: 

  • Empreendedorismo – p. ex.: Impactos dos conceitos financeiros vistos como apoios e restrições sobre empreendedorismo.
  • Análise de risco – p. ex.: ambientes não tradicionais.

 Educação e Pesquisa em Contabilidade, Controladoria, Atuária e Finanças: 

  • Inclusão social, étnico-racial e de gênero – p. ex.: educação contábil, atuarial e financeira e inclusão social, étnico-racial e de gênero.
  • Transformação digital nos ambientes educacionais do ensino de contabilidade, finanças e atuária.

Atuária:

O mundo pós-pandemia

A Covid-19 alterou o mundo; seus efeitos serão sentidos por muito tempo, talvez para sempre. Todas as organizações, governos e indivíduos tiveram e ainda estão tendo que se adaptar a esta nova realidade. Nesse panorama, incerteza e risco têm um papel proeminente. Esse desafiador ambiente gerou também uma promissora agenda de pesquisa em Atuária, que merece ser explorada. Uma lista não excludente de temas inclui, por exemplo:

  • Mudanças demográficas, com alterações em padrões de mortalidade, fecundidade e migração;
  • Impactos sobre a saúde pública e a saúde complementar;
  • Impactos sobre o setor de seguros e resseguros, particularmente sobre os seguros de vida;
  • Impactos sobre a previdência básica e a previdência complementar;
  • Mudanças nas estruturas de proteção social;
  • Impactos sobre finanças e investimentos.

Mudanças climáticas

As mudanças climáticas são bastante complexas. Mudam e criam novos riscos, exigindo dos atuários habilidade na construção de cenários de gerenciamento de riscos, para o setor segurador, instituições financeiras, governos e indivíduos. Os impactos serão heterogêneos, afetando as regiões e as diferentes gerações forma desigual. Tendo em vista estes fatos, novas oportunidades de pesquisa têm surgido na área atuarial. Uma lista não excludente de temas inclui, por exemplo:

  • Aquecimento global, eventos extremos e catástrofes, como inundações, ciclones, incêndios etc;
  • Mudança nos padrões dos eventos climáticos;
  • Riscos de transição.

Pesquisas desenvolvidas dentro do ambiente hispânico:

As oportunidades identificadas nas demais linhas cabem nesta, incluindo estudos comparativos entre os países.

Finalmente, informo que continuaremos recebendo e processando artigos com as abordagens atuais, com a mesma dedicação e interesse.

 

Atenciosamente,

Fábio Frezatti

Editor-Chefe

Revista Contabilidade & Finanças