Fundos de previdência privada: passividade a preços de fundos ativos

  • Carlos Heitor Campani Universidade Federal do Rio de Janeiro; Instituto COPPEAD de Administração; Departamento de Finanças e Controle Gerencial
  • Leonardo Mesquita de Brito Universidade Federal do Rio de Janeiro; Instituto COPPEAD de Administração; Departamento de Finanças e Controle Gerencial
Palavras-chave: previdência privada, estratégia de investimentos, análise de estilos, filtro de Kalman, fundos passivos

Resumo

De 2005 a 2015, o total de ativos geridos por fundos de previdência privada aberta no Brasil mais do que sextuplicou, com o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) representando 90% desses ativos. Entretanto, as instituições de previdência privada têm como característica a cobrança de elevadas taxas de administração, ficando, assim, com boa parte dos benefícios oferecidos pelo governo como incentivo para os investimentos nessa modalidade. Altas taxas de administração são justificáveis quando há uma gestão ativa desses fundos, gerando, em tese, uma performance superior: este estudo indica que não é isso que ocorre nesse segmento de mercado. Problemas semelhantes têm sido enfrentados em outros países, como Reino Unido, Dinamarca e Suécia, nos quais se abriu investigação a respeito de fundos que cobram altas taxas de administração por uma gestão ativa enquanto proporcionam, na realidade, uma gestão que pode ser considerada passiva. Isso demonstra o tamanho e a relevância desse problema, que foi levantado e abordado por este estudo. Para tanto, recorreu-se à análise dinâmica de estilos, via janelas móveis, seguida da análise via filtro de Kalman em fundos das cinco principais instituições de previdência privada do Brasil. A partir da análise da evolução das exposições desses fundos às diferentes classes de ativos e dos R2 gerados, encontraram-se indícios de passividade, principalmente nos fundos compostos com renda variável. Tais fundos são justamente os que deveriam ter gestão mais ativa, pois cobram as maiores taxas de administração. Este artigo também demonstra que é possível construir uma carteira passiva, com estilo muito semelhante e retornos sem diferenças estatisticamente significativas, mas com taxa de administração mais baixa (e alinhada com fundos passivos).

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Publicado
2018-04-01
Como Citar
Campani, C., & Brito, L. (2018). Fundos de previdência privada: passividade a preços de fundos ativos. Revista Contabilidade & Finanças, 29(76), 148-163. https://doi.org/10.1590/1808-057x201804270
Seção
Artigos