A Febre do Pixel

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2237-1095.v10p104-116

Palavras-chave:

Políticas públicas, Transformação digital, Audiovisual, Mudança social, Interdisciplinaridade

Resumo

O suporte padrão utilizado pela indústria cinematográfica foi alterado da película para os formatos digitais, mas essas mudanças não estão localizadas apenas em territórios artísticos. Nos dias atuais, os processos de digitalização integram, cada vez mais, nossas práticas cotidianas ao lidarmos com inúmeras situações que demandam a utilização de aplicativos. Assim, produzimos e compartilhamos a todo instante quantidades consideráveis de sons e imagens. Para alguns de nós, especialmente os mais jovens, nascidos a partir dos anos 2000 e acostumados a lidar com gadgets desde a infância, os processos mecânicos e analógicos constituem, provavelmente, um meio bem diferente. O objetivo desse ensaio é, portanto, ponderar acerca do que estamos chamando de “a febre do pixel”, movimento contemporâneo no qual amalgama-se vida orgânica e trajetórias digitais, considerando que produzir e descartar dados digitais já faz parte das rotinas de muitos de nós. Dividimos esse ensaio em três partes. Na primeira abordamos alguns aspectos da entrada dos gadgets digitais em nossas vidas, tratando dos processos de digitalização na indústria cinematográfica, especialmente a política pública brasileira Cinema Perto de Você, que auxiliou no processo de transição do analógico para o digital nas salas de cinema do Brasil. Na segunda parte, ressaltamos problemas mais amplos da febre do pixel, quais sejam, riscos estéticos, a digitalização dos empregos e o consumo de energia derivado do manuseio de materiais digitais. Finalmente, na terceira parte, traçamos paralelos entre os problemas decorrentes da febre do pixel e a vida na atualidade. Objetivamos com essas ponderações interdisciplinares, construídas a partir de práticas audiovisuais, contribuir com as discussões sobre as mudanças sociais contemporâneas relacionadas aos processos de digitalização propagados em diferentes áreas de pesquisa.

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Biografia do Autor

Ingrid Rodrigues Gonçalves, Universidade de São Paulo

Bacharel em Gestão de Políticas Públicas pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades e mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e pesquisadora do Miragem - Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Culturas Visuais - da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Atualmente é doente no Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, São Paulo, SP. Brasil.

 

 

Valéria Cazetta, Universidade de São Paulo

Geógrafa, mestre e Doutora pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Rio Claro, SP, Brasil. Atualmente é professora na Licenciatura em Ciências da Natureza, no Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política e líder do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Culturas Visuais - Miragem - da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

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Publicado

2020-08-16

Como Citar

Gonçalves, I. R., & Cazetta, V. (2020). A Febre do Pixel. Revista Gestão & Políticas Públicas, 10(1), 104-116. https://doi.org/10.11606/issn.2237-1095.v10p104-116

Edição

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Artigos