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A importância do brincar para crianças com síndrome de Down

Brincar faz parte da vida de toda criança. Quem não lembra de suas brincadeiras preferidas? Infância lembra brinquedo, alegria, faz de conta. O brincar trabalha potencialidades, desenvolvimento de habilidades, sociabilidade, emoções e sensações inerentes ao mundo infantil. Brincar é comunicar-se com o outro, é expressar-se e integrar-se na realidade. Mas o brincar não é igual para todos. Como é o brincar de crianças com síndrome de Down? A proposta do artigo da Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo foi utilizar o Modelo Lúdico “como referencial teórico que possibilita a análise do brincar e a reflexão da prática da Terapia Ocupacional neste contexto“, já que brincar “é fundamental para o desenvolvimento infantil e é o principal papel ocupacional na infância“.

As autoras, nesse estudo, avaliaram crianças com síndrome de Down, observando o comportamento lúdico dos pequenos, procurando comparar as diferenças entre antes e depois da intercessão dos terapeutas ocupacionais, trabalho realizado em uma brinquedoteca terapêutica dentro de um hospital-escola infantil, com 30 sujeitos com idades entre 8 meses e 14 anos. A Terapia Ocupacional se mostra como recurso terapêutico para todas as crianças, pois estuda o envolvimento do sujeito nas diversas áreas de ocupação, e, por consequência, há o enfoque nas capacidades e potencialidades da criança em sua experimentação do brincar.

O brincar é uma estratégia para o terapeuta ocupacional atuar, em meio à brincadeira, como mediador que observa e reflete sobre as atitudes, habilidades e dificuldades da criança com Down. Toda criança precisa brincar, e para crianças com deficiências o brincar é ainda mais importante, pois “tem o papel fundamental de impulsionar o desenvolvimento“, auxiliando na evolução da linguagem, das habilidades motora e social. A pesquisa revela que a maioria dessas crianças demonstraram dificuldades de brincar de maneira não convencional, já que a imaginação é tarefa difícil para quem  tem “o pensamento orientado ao concreto, dependente do situacional-imediato“.

A entrevista de reavaliação com os pais mostrou que as crianças passaram a demonstrar mais prazer e iniciativa para o brincar e ampliaram seu gosto por desafios, envolvendo brinquedos e lugares novos. O estímulo do cuidador para a brincadeira tem a função de ampliar a visão de mundo, abrindo portas para experiências novas da criança que possam contribuir para seu desenvolvimento intelectual. Observa-se que todas as crianças envolvidas preferiram brinquedos sonoros e visualmente estimulantes, o que é respeitado, pois se espera que “o brincar livre e espontâneo da criança“, aliado a sua capacidade de ação, conceda autonomia a essas crianças, estimulando o deslocamento e o prazer pelos desafios.

Concluiu-se que, após um ano de atendimento terapêutico ocupacional, as crianças avaliadas evoluíram em relação aos seus interesses geral e lúdico e na capacidade e atitude lúdicas. As autoras destacam a importância do aperfeiçoamento de estratégias lúdicas que auxiliem a criança a expressar seus sentimentos, majoritariamente no emprego de palavras e frases para o grupo de crianças atendidas na brinquedoteca. Esse Modelo Lúdico, cuja proposta é a aplicação organizada do brincar na prática da Terapia Ocupacional, “mostrou-se aplicável ao contexto da brinquedoteca, auxiliando no planejamento terapêutico ocupacional para as intervenções com enfoque no brincar” e como “instrumento para mensurar o comportamento lúdico de crianças com síndrome de Down com idade até 14 anos”. 

Artigo

PELOSI, M.; MUNARETTI, A.; NASCIMENTO, J.; MELO, J. Evolução do comportamento lúdico de crianças com síndrome de Down. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 29, n. 2, p. 170-178, 2019. ISSN: 2238-6149. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v29i2p170-178. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rto/article/view/142772. Acesso em: 15 fev. 2019.

Contatos

Miryam Bonadiu Pelosi – Terapeuta ocupacional, mestre e doutora em Educação pela UERJ, professora associada da Faculdade de Medicina – Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. e-mail: miryampelosi@ufrj.br

Andreza Santos Munaretti – Terapeuta ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  andreza.munaretti@hotmail.com

Janaína Santos Nascimento – Terapeuta ocupacional, mestre em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação – Unicamp.

Juliana Valéria de Melo – Terapeuta ocupacional, mestre em Saúde, Interdisciplinaridade e Reabilitação – Unicamp e professora da Faculdade de Medicina – Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. e-mail: julianamelo_to@hotmail.com

Margareth Artur – Portal de Revistas da USP

 

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