A mulher emocional: potências e riscos da feminilidade no discurso jornalístico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2017.122149

Palavras-chave:

Gênero, emoções, trabalho, mídia, discurso.

Resumo

Este artigo traz uma análise do discurso de inspiração foucaultiana acerca de mulheres e emoções em reportagens sobre carreira nas revistas Veja, Época e Você S/A Edição para Mulheres. Nas novas configurações do trabalho, a “sensibilidade feminina” é exaltada como vantagem competitiva, desde que utilizada de maneira correta. Entretanto, as emoções também tornariam as mulheres inconstantes e perigosas. Há uma retórica do controle direcionada ao gênero feminino: suas emoções devem ser manejadas, a fim de serem transformadas em capital produtivo, evitando que causem riscos à ordem social. As matérias, imbuídas da aura da objetividade jornalística, atuam discursivamente como instrumentos da racionalidade neoliberal, ajudando a inscrever no indivíduo o imperativo do governo de si, e conformando sujeitos orientados para a performance, sem alterar a hierarquia tradicional de gênero.

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Biografia do Autor

Tatiane Leal, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutoranda e Mestre em Comunicação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na linha de pesquisa de mídia e mediações socioculturais. Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Publicado

2017-07-13

Como Citar

LEAL, T. A mulher emocional: potências e riscos da feminilidade no discurso jornalístico. RuMoRes, [S. l.], v. 11, n. 21, p. 191-208, 2017. DOI: 10.11606/issn.1982-677X.rum.2017.122149. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/122149. Acesso em: 22 fev. 2024.

Edição

Seção

Artigos