Reflexões sobre a verdade e a crença na comunicação do testemunho literário

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.194036

Palavras-chave:

Semiótica, Verdade, Crença, Julgamento epistêmico, Testemunho literário

Resumo

Apresenta-se, neste artigo, uma reflexão a respeito da verdade e da crença na comunicação do testemunho literário – gênero composto por relatos de sobreviventes de experiências históricas consideradas limite (guerras, ditaduras, genocídios, etc.). Parte-se, para tanto, das considerações de François Rastier sobre a caracterização do enunciador do testemunho literário – seu compromisso ético e consequente projeto estético – e de dois modelos epistêmicos distintos, mas complementares – o modelo de Algirdas Julien Greimas, que fixa as modalidades do quadrado epistêmico e as bases gerais das operações de comunicação e de reconhecimento da verdade, e o modelo de Claude Zilberberg, no qual se definem os sintagmas elementares da crença de acordo com seus modos de junção (implicativo ou concessivo). Descrevem-se, a partir daí, os dois modos de apresentação da verdade constitutivos do testemunho literário.

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Biografia do Autor

Adriana Inácio, Universidade de São Paulo

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil, bolsa CNPq.

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Publicado

2022-08-26

Como Citar

Inácio, A. (2022). Reflexões sobre a verdade e a crença na comunicação do testemunho literário. Estudos Semióticos, 18(2), 237-256. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2022.194036