Áreas de descarte em sítios arqueológicos Guarani: o caso das lixeiras

Autores

  • Rafael Guedes Milheira Universidade Federal de Pelotas. Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia da

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2014.109308

Palavras-chave:

Arqueologia Guarani, Arqueologia do lixo, área de descarte de refugo, área de atividade, prática de limpeza

Resumo

A questão das áreas de depósitos de refugo secundário em sítios arqueológicos Guarani é um tema que os arqueólogos têm abordado tangencialmente em suas pesquisas. Vários trabalhos demonstram a ocorrência de áreas de atividade em sítios Guarani que se pode definir como estruturas de deposição de lixo. Tais estruturas são comumente descritas, inclusive na literatura internacional, em sítios de diferentes culturas pré-coloniais. Porém, no Brasil, há pesquisadores que não consideram habituais as práticas de limpeza das residências Guarani, argumentando que os artefatos e alimentos, após o uso e consumo, seriam refugados no local da atividade. Pretendo, com este trabalho, demonstrar através de analogias etnográficas que estas estruturas são frequentes em sítios Guarani, assim como, indicar que seu registro é um fator importante para a caracterização e entendimento de aspectos espaciais e sociais da vida nas aldeias.

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Publicado

2014-10-25

Edição

Seção

Dossiê

Como Citar

MILHEIRA, Rafael Guedes. Áreas de descarte em sítios arqueológicos Guarani: o caso das lixeiras. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, Brasil, n. 24, p. 3–23, 2014. DOI: 10.11606/issn.2448-1750.revmae.2014.109308. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/109308.. Acesso em: 17 jun. 2024.