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Arqueologia e a discussão da diáspora afro-brasileira para a formação acadêmica

Release de Margareth Artur para o Portal de Revistas da USP, São Paulo, Brasil

Para que o leitor se familiarize melhor com o tema proposto pelas autoras Soares e Carvalho no artigo da Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, é preciso saber que “o termo diáspora tem a ver com dispersão e refere-se ao deslocamento, forçado ou não, de um povo pelo mundo […] A diáspora africana é o nome dado a um fenômeno caracterizado pela imigração forçada de africanos, durante o tráfico transatlântico de escravizado.” (https://www.palmares.com.br.). O artigo mostra as vivências de duas autoras que participaram da VI Semana Internacional de Arqueologia dos Discentes do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).

Disponibilizar essas vivências, chamadas “experiências da mobilidade”, é a proposta de tornar público o trabalho de atividades realizadas e as reflexões teóricas e metodológicas no “âmbito de um projeto de mobilidade acadêmica direcionado a estudos da diáspora africana”, tema estudado e praticado por sua emergência, complexidade e repercussão da questão no passado e nos dias de hoje. O artigo foi escrito em duas partes: a primeira por Patrícia, criadora da proposta alternativa, participativa e “afrocentrada”, e a segunda parte Alice, relatando suas práticas e consequentes reflexões sobre as atividades afrodiaspóricas com alunos. 

A ideia da pesquisa, do estudo e do artigo foi estimulada também pela escassez dos cursos de graduação e pós em arqueologia, abordando assuntos contemporâneos como “raça, racismo e antirracismo, essenciais para a formação de estudantes afrodescendentes ou não”. Patrícia Marinho de Carvalho, a “Paty”, ligada às comunidades quilombolas, e Alice, na qualidade de participante colaborativa, além das atividades atreladas ao MAE, organizaram muitas ações multiplicativas afrodiaspóricas e afrocentradas, tais como debates, rodas de samba, capoeira, saraus, teatro, desfiles, e visitas a terreiros – uma experiência, segundo as autoras, “que não se restringiu ao entrelaçamento de nossas trajetórias acadêmicas, mas também alcançou nossa experiência afrodiaspórica de vida.”

Contam que, juntas, descobriram, sem contar a própria ancestralidade, o conhecimento sobre diáspora, sendo alicerçado e construído além da sala de aula, no envolvimento com movimentos negros que imprimem a identidade diaspórica. O relato das autoras tem como intuito refletir e debater “saberes, vivências e experiências” relativas à diáspora africana, tendo como princípio olhares diferentes, mas não excludentes, da ciência da Arqueologia. Ressalta-se o crescimento pessoal estimulado pela experiência identitária de ser mulher preta diaspórica, a compreensão da visibilidade, da resistência, da atuação do movimento negro, com a divulgação da cultura africana e afro-brasileira. 

Finalizando, está clara a importância desses movimentos nos quais participam docentes, professores e militantes na disseminação da cultura afro-brasileira e o culto aos ancestrais, no sentido mesmo de infundir uma cultura e todos seus aspectos, como outra qualquer, garantida a igualdade, a oportunidade e a ausência de preconceitos concebidos há séculos por consciências vedadas pela sociedade que determina padrões, regras e comportamentos, em todos os âmbitos. Destaca-se a troca de experiências com docentes, pesquisadores e militantes negros, divulgadores do conhecimento e culto aos ancestrais e criadores de arte, compondo a rede da diáspora africana.  

Artigo

CARVALHO, P. M. de; SOARES, A. de M. “Todo poder ao povo preto”: diálogos sobre práticas colaborativas entre seres em lugares e tempos afrodiaspóricos. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, v. 37, p. 164-177, 2021. ISSN: 2448-1750. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2448-1750.revmae.2021.163773. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revmae/article/view/163773. Acesso em: 12 jan. 2002.

Contatos

Patrícia Marinho de Carvalho – Doutora em Arqueologia pelo Programa de Pós-Graduação do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. e-mail: patymarinho@yahoo.com.br

Alice de Matos Soares – Graduanda em Arqueologia na Universidade Federal do Oeste do Pará. e-mail: alicematos097@gmail.com

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