Correlação da evolução do estado funcional com o tempo de ventilação mecânica invasiva em pacientes críticos

  • Marilucia Reis dos Santos Hospital Geral Roberto Santos - Salvador/Bahia https://orcid.org/0000-0002-3220-883X
  • Caroline Ferreira Guerreiro Hospital Geral Roberto Santos – Salvador/Bahia
  • Jorge Luis Motta Anjos Hospital Geral Roberto Santos – Salvador/Bahia
  • Cássio Magalhães da Silva e Silva Universidade Federal da Bahia – UFBA
Palavras-chave: Respiração Artificial, Cuidados Críticos, Atividades Diárias, Limitação da Mobilidade

Resumo

Pacientes críticos internados na unidade de terapia intensiva (UTI) comumente apresentam declínio do estado funcional, sendo o tempo de permanência na ventilação mecânica invasiva (VMI) o fator de maior importância relacionado ao comprometimento do desempenho físico. Objetivo: Investigar a correlação da evolução do estado funcional entre a admissão e a alta com o tempo de VMI relacionada a mobilidade. Metodo: Trata-se de um estudo observacional, de delineamento transversal, realizado nas UTI's de um hospital da rede pública estadual. Foi aplicado a escala Functional Status Score Intensive Unit Care (FSS-ICU) por fisioterapeutas treinados para avaliação do estado funcional. Para comparação os grupos foram divididos em clínicos e cirúrgicos e utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Para análise da correlação foi utilizado o coeficiente de Spearman. Resultados: A amostra foi composta por 30 pacientes com mediana de idade 49,5 [37,0-67,7] anos, sendo a maioria (53%) do sexo masculino, com mediana de tempo de VMI 132,0 [48,0-192,0] horas, mediana de 4,0 [2,0-6,0] do índice de comorbidades de Charlson, predomínio das cirurgias abdominais (75%) e mediana do FSS entre a admissão e a alta de 12, 0 [10,0-30,7]. Verificou-se uma correlação negativa de moderada a boa entre o FSS da admissão e da alta com o tempo de VMI em horas (r= -0,50 p= 0,005) (r= -0,71 p< 0,001). Conclusão: Existe correlação negativa entre a evolução do estado funcional na admissão e alta com o tempo de VMI em doentes críticos e o perfil diagnóstico também pode interferir nesse desfecho.

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Publicado
2019-12-31
Seção
Artigo Original