Avaliação de sintomas na distrofia muscular de Duchenne: uma estratégia de cuidado paliativo

Autores

  • Josiane Rosires Pavão Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP
  • Elisângela Aparecida da Silva Lizzi Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR
  • Mariana Angélica de Souza Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP
  • Cláudia Ferreira da Rosa Sobreira Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP
  • Thais Cristina Chaves Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP
  • Ana Claudia Mattiello-Sverzut Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-0190.v27i2a171476

Palavras-chave:

Distrofia Muscular de Duchenne, Cuidados Paliativos, Avaliação de Sintomas

Resumo

A avaliação de sintomas na distrofia muscular de Duchenne (DMD) permite o adequado manejo terapêutico e o Edmonton Symptom Assessment System (ESAS) possui esta função: avaliar simultaneamente múltiplos sintomas de pacientes em cuidados paliativos (dor, cansaço, sonolência, náusea, apetite, falta de ar, depressão, ansiedade e bem-estar). Objetivo: Verificar se pacientes com DMD entendem os termos do ESAS e são capazes de graduar seus sintomas por este instrumento. Métodos: 10 pacientes com DMD foram avaliados transversalmente em relação à: compreensão dos itens do ESAS, caracterização dos sintomas (pelo ESAS e Escala de Faces) e medida da função motora. A graduação de sintomas do paciente, pelo ESAS, foi realizada também pelo avaliador. Os dados foram analisados descritivamente e por meio do coeficiente de correlação de Spearman. Resultados: Todos os pacientes compreenderam os sintomas dor, cansaço, sonolência, depressão (tristeza) e bem-estar, já os sintomas náusea, apetite, falta de ar e ansiedade não foram compreendidos por todos. A média geral de todos os sintomas avaliados pela escala ESAS foi abaixo de 5 pontos. Entre os resultados da escala ESAS e Escala de faces, houve correlação forte para os sintomas “depressão” (r= 0,64) e “ansiedade” (r= 0,65). Houve correlação perfeita (r= 1,0) entre ESAS preenchida pelo paciente e pelo avaliador para os itens “depressão” e “ansiedade” e correlação forte (r= 0,82) para “sonolência”. Conclusão: Pacientes com DMD entenderam os termos do ESAS e graduaram seus sintomas por este instrumento, portanto, não há necessidade de alteração dos termos do ESAS para avaliação de pacientes com DMD.

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Publicado

2020-06-30

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