Avaliação das atitudes frente a incapacidades na perspectiva de pessoas com deficiências físicas

Autores

  • Flávia Canale Cabral Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Instituto de Reabilitação de Medicina Física e Reabilitação
  • Andre Tadeu Sugawara Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Instituto de Reabilitação de Medicina Física e Reabilitação https://orcid.org/0000-0003-2818-2101
  • Marta Imamura Department of Legal Medicine, Medical Ethics, Social Medicine, and Occupational Medicine, University of São Paulo School of Medicine
  • Linamara Rizzo Battistella Department of Legal Medicine, Medical Ethics, Social Medicine, and Occupational Medicine, University of São Paulo School of Medicine

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-0190.v28i1a184308

Palavras-chave:

Pessoas com Deficiência, Atitude, Barreiras ao Acesso aos Cuidados de Saúde, Inquéritos e Questionários

Resumo

Objetivo: Quantificar as atitudes frente a incapacidades, percebidas pelas pessoas com deficiências (PCDs) atendidas em hospital universitário no Brasil, assim como determinar se as barreiras atitudinais percebidas se correlacionam com outros fatores. Métodos: Este é um estudo observacional transversal, onde a amostra de PCDs completou a Escala de Atitudes Frente a Incapacidades para Pessoas com Incapacidades Físicas (ADS-D), que quantifica a barreira atitudinal percebida, a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão e a Medida de Independência Funcional (MIF). Os dados foram correlacionados com sexo, renda, depressão, valor da MIF, tipo de deficiência e tempo de deficiência. Resultados: Foram avaliados 68 pacientes – 50,0% com lesão medular, 38,2% com amputações e 11,8% com hemiplegia – dos quais 66,2% eram do sexo masculino, com média de idade de 39,33 (±12,89) anos, média de 10,95 (±4,25) anos de estudo, mediana de 20,5 meses (intervalo de 10,5-33,5 meses) de tempo de deficiência, mediana de valor da MIF de 110,5 (intervalo de 94-116,5). Dos 68 pacientes, 55,9% declararam renda abaixo da média nacional e depressão foi observada em 11,76%. A média da ADS-D total (61,29 ± 8,75) não foi associada ao sexo, nível funcional, tipo ou tempo de deficiência. Renda (β-coefficient: -3,91; p: 0,001) e sintomas depressivos (β = -1,74; p < 0,0001) se correlacionaram com a magnitude da barreira atitudinal percebida. Conclusão: As barreiras atitudinais são influenciadas pela renda, como facilitador de inclusão, e pela depressão, como entrave à inclusão.

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Publicado

2021-03-31

Edição

Seção

Artigo Original
MÉTRICAS | METRICS