Fatores associados à depressão em pacientes amputados de membros inferiores no Estado de Santa Catarina - Brasil

Autores

  • Mariana Francisco Botelho Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC https://orcid.org/0000-0002-9360-1213
  • Rafael Gustavo Sato Watanabe Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
  • Leticia Goulart Ferreira Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
  • Isabela de Carlos Back Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
  • Sérgio Fernando Torres de Freitas Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2317-0190.v28i3a189060

Palavras-chave:

Amputados, Extremidade Inferior, Depressão

Resumo

Sintomas depressivos em pacientes com amputação de membros inferiores foram foco de diversos estudos, com amplos intervalos de prevalência encontrados, e algumas variáveis foram relacionadas com os sintomas depressivos. Depressão e ansiedade têm grande impacto na aderência à reabilitação, no prognóstico funcional e na qualidade de vida. Conhecer os pacientes que têm maior risco de apresentar sintomas depressivos pode favorecer uma abordagem precoce e seu tratamento, potencializando a reabilitação, a reinserção social, a adaptação à prótese e seu uso. Objetivo: Determinar associação entre fatores demográficos, socioeconômicos, e clínicos com sintomas depressivos em pacientes amputados antes da protetização. Métodos: Estudo tipo caso-controle para avaliar fatores associados - dados demográficos, socioeconômicos e comorbidades - à depressão (utilizando escala de depressão de Beck-II) em pacientes com amputação de membro inferior. Resultados: Pacientes com depressão prévia (OR= 17,08, IC95:2,14-136,28) e baixa classe social (OR= 3,04, IC95:1,24-7,47) apresentam alta chance de depressão após amputação em Santa Catarina. O modelo explica 71.4% dos casos, classificando adequadamente 88,1% dos negativos e 23,8% dos positivos. E encontrou-se maior capacidade de predizer casos negativos - amputados raramente apresentaram diagnóstico de depressão se pertenciam a uma classe social mais alta e se não tinham diagnóstico prévio de depressão. Pacientes de classes sociais D-E, e diagnóstico prévio de depressão devem ser referenciados para avaliação psicológica devido à chance de depressão próxima de 1 a cada 4 casos. Conclusão: Depressão prévia à amputação e classes sociais mais baixas apresentaram maior chance de desenvolver sintomas depressivos após amputação na população estudada. 

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Publicado

2021-09-30

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Artigo Original
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